Conta Azul · 2024

Projetando o fluxo de compra para um lançamento complexo — ERP + PDV como produto e como bundle

  • Launch Design
  • Checkout
  • Multi-Plan
  • Cross-Functional
  • Revenue
Contexto
A Conta Azul lançou o PDV como produto independente e como bundle com o ERP. Um único checkout precisava suportar múltiplos planos, restrições de elegibilidade distintas e jornadas de entrada diferentes.
Problema
Complexidade de planos não tratada no design gera confusão, tickets de suporte e perda de confiança no momento de compra. A interdependência entre preço, regulação, messaging e capacidade operacional tornava o design da experiência um ponto de risco real do lançamento.
Abordagem
Mapeamento de todos os cenários de plano e elegibilidade antes do design. Protótipo de alta fidelidade como ferramenta de alinhamento cross-funcional. Documentação de riscos e framework de métricas para aprendizado pós-lançamento.
Resultado
Lançamento executado sem retrabalho de design pós-lançamento. Framework de métricas entregue como base para aprendizado contínuo.

Liderei o design do checkout como Lead Product Designer em um time de três designers (Larissa Amorim Silva e Katlin Bendheim) sob gestão do DM Thiago Roberto Kolodge. Trabalhei com três PMs — José Antônio dos Santos Júnior, Claudinei Martins da Silva e Amanda Carsten — e stakeholders de Marketing, Vendas e Operações (Milene Polo de Melo, Mateus Masiero, Rodrigo Paiva Mendonça).

Meu escopo foi deliberadamente mais amplo que interface: mapeei os cenários de elegibilidade e exceções antes de abrir o Figma; negociei trade-offs entre o que a experiência prometia e o que o MVP conseguia entregar; documentei os riscos assumidos explicitamente; e defini o framework de métricas pós-lançamento. O valor desta atuação está na redução de ambiguidade antes do lançamento — não em um único número de resultado.

Lançamentos com múltiplos planos têm um modo de falha específico: o design resolve a interface, mas não resolve a elegibilidade. O usuário chega ao checkout, não entende qual plano se aplica ao seu caso e abandona — ou pior, assina o plano errado e cancela.

Aqui a tensão era ainda mais direta: os requisitos reais de elegibilidade para o PDV (empresa no Simples Nacional, fora dos estados SC e CE) eram invisíveis na experiência padrão de checkout. Sem tratamento explícito, o produto lançaria com um risco de negócio ativo — usuários assinando planos que não poderiam usar.

A decisão estratégica foi tornar a elegibilidade visível no ponto de decisão, não em rodapé ou modal de suporte. E, onde o MVP optou conscientemente por não bloquear assinaturas inelegíveis — decisão de negócio documentada, não omissão de design —, garantir que os alertas fossem suficientemente claros para informar a escolha sem quebrar a conversão.

A sequência foi deliberada: cenários antes de interface, exceções antes de happy path.

O ponto de partida foi o mapeamento completo dos dois fluxos de entrada — Trial (usuário experimenta o produto e decide assinar) e Compra Direta (usuário chega do site já com intenção de compra). Cada fluxo trazia pontos de atenção diferentes: no Trial, o desafio era deixar claro qual plano correspondia ao que o usuário já estava usando. No Direto, o risco era intenção de assinar um plano incompatível com o perfil da empresa.

Depois, mapeei os cenários de elegibilidade: quais combinações eram possíveis (só ERP, só PDV, ERP+PDV), quais dependiam de regime tributário (Simples Nacional obrigatório para PDV), quais eram bloqueadas por estado (SC e CE excluídos no MVP), e quais exceções geravam mensagens de alerta em vez de bloqueio (CPF, CNPJ sem retorno de estado ou regime).

Só depois desse mapeamento o design da interface começou. O protótipo foi construído para cobrir todos os cenários — não apenas o caminho ideal. Isso forçou decisões sobre estados de alerta, mensagens de inelegibilidade e o que o usuário podia fazer em cada caso, antes do desenvolvimento.

  • Dois fluxos de entrada mapeados antes do design
  • Elegibilidade e exceções como pré-requisito
  • Enquadramento via CNPJ/CPF como filtro de planos
  • Protótipo como artefato de alinhamento
  • Riscos assumidos documentados como entregável
  • Framework de métricas pré-definido

A sequência de descoberta refletiu a prioridade estratégica: primeiro os fluxos, depois os cenários, depois os riscos.

O lançamento aconteceu sem retrabalho de design pós-lançamento. O impacto mensurável foi planejado para aparecer depois — e foi estruturado com essa lógica desde o início.

  • Framework de métricas como entregável

    O framework de métricas não foi documentado retrospectivamente. Foi definido antes do lançamento como condição para que o MVP cumprisse seu objetivo real: validar a oferta do plano PDV e do Combo ERP+PDV. As métricas de sucesso (variação de conversão, variação de MRR) e as métricas de acompanhamento (tickets de mudança de plano, dúvidas do time de vendas, ciclo de venda por plano, preenchimento de CPF/CNPJ na etapa de enquadramento) foram estruturadas para distinguir aprendizado de resultado.

  • Teste de preço em 3 fases habilitado

    O Product Marketing estruturou um teste de preço em três fases consecutivas: Fase 1 — validação da oferta Combo vs. ERP isolado; Fase 2 — elasticidade de preço e posicionamento do Combo; Fase 3 — oferta do plano PDV avulso. O design do checkout precisava suportar esse processo sem retrabalho estrutural entre fases — o que foi garantido pela arquitetura modular da seleção de planos.

  • Padrão de mapeamento reutilizável

    A sequência metodológica — fluxos de entrada → cenários de elegibilidade → exceções → interface → protótipo de alinhamento — ficou documentada como padrão aplicável a futuros lançamentos de produto com complexidade similar.

  • Risco residual documentado

    O gap entre a mensagem do produto e a landing page externa (Product Marketing sem detalhes definidos no momento da entrega) foi registrado como risco de comunicação não resolvido. Risco não eliminado, mas visível — e com responsável identificado.

O que este projeto realmente foi

Um projeto de redução de ambiguidade antes de ser um projeto de interface. A interface foi consequência do mapeamento — não o ponto de partida. O checkout funcionou porque os cenários de elegibilidade, os fluxos de entrada e os riscos de negócio foram tratados como problemas de design antes de virar problemas de desenvolvimento.

Influência de nível staff não aparece só em métricas de produto finalizadas. Aparece na capacidade de tornar visível o que estava implícito — e de fazer isso antes do código, quando ainda era barato mudar.

O que permaneceu depois

Um framework de métricas que o time pode usar para aprender com o lançamento ao longo das três fases de teste de preço. Um protótipo que funcionou como documentação do comportamento esperado — referência para desenvolvimento e para onboarding de novos membros do time. Uma matriz de cenários de elegibilidade que pode ser atualizada conforme os requisitos do PDV evoluírem. E um padrão de processo que começa pelos cenários, não pela tela.

O que eu faria diferente

Anteciparia a conversa sobre mecanismo de bloqueio e fluxo de troca de plano. A decisão de não implementar esses mecanismos no MVP foi válida — mas chegou ao design tarde. Tê-la na mesa antes do mapeamento de cenários teria permitido um design dos alertas mais preciso, porque a mensagem de risco para o usuário muda dependendo de se existe ou não uma saída após a assinatura.

Formalizaria mais cedo o alinhamento com Product Marketing sobre a landing page. O gap entre o que o produto comunicava e o que o site externo prometia era um risco de consistência real. Esse alinhamento ficou como risco residual documentado — mas poderia ter sido resolvido antes do lançamento se tivesse entrado na agenda cross-funcional desde o início do projeto.

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