Conta Azul × Serasa · 2023–2024

Lançando uma nova fonte de receita dentro de um ERP por meio de uma feature paga, confiável e descobrível

  • Monetization
  • Feature Launch
  • Trust Design
  • B2B SaaS
  • Discoverability
Contexto
A Conta Azul precisava expandir receita além da assinatura. A Serasa Experian tinha dados de crédito que os usuários do ERP precisavam — mas nenhum canal dentro do produto para acessá-los.
Problema
Feature paga e sensível à confiança, sem presença no fluxo real de trabalho. O usuário que mais precisava da consulta de risco de crédito não sabia que ela existia.
Abordagem
MVP contextual dentro da venda avulsa → pesquisa com não usuários, usuários leves e frequentes → V2 com múltiplos pontos de entrada, incluindo consulta direta sem necessidade de venda prévia.
Resultado
+677% de volume após V2, R$213.464 em receita acumulada em 6 meses e validação de um modelo reutilizável de add-on monetizado.

Resultados

  • 337 Usuários únicos no MVP Janela controlada
  • 16% Conversão no MVP Pagamento por consulta
  • R$8.889 Receita projetada no MVP Só canal contextual
  • +677% Aumento de volume MVP → V2
  • R$213.464 Receita acumulada Nov/2023 – Abr/2024
  • 12.613 Consultas no período Todos os pontos de entrada
  • 3.300+ Pico mensal de consultas Melhor mês

Atuei como único designer desta iniciativa — da concepção ao QA — dentro de um time de Growth DN formado por PM (Bruno Brasil Airão), Tech Lead (Marcos Daniel Budtinger), Stakeholder de negócio (Rodrigo Paiva Mendonça) e DM (Thiago Roberto Kolodge). A iniciativa nasceu no final de 2023 como aposta de receita para 2024, com OKR de atingir R$268k de faturamento via modelo de add-on pago.

Meu escopo cobriu três dimensões simultâneas: definição do modelo de interação para uma feature paga dentro de um fluxo transacional sensível à confiança; coordenação e análise da pesquisa com três perfis distintos de usuários pós-MVP; e redesign completo da arquitetura de acesso na V2. A decisão mais importante deste projeto não foi de interface — foi de posicionamento de produto: criar a consulta direta como ponto de entrada independente, sem exigir que o usuário iniciasse uma venda. Essa decisão não veio de hipótese interna — veio de pesquisa com quem não estava usando.

O desafio tinha três camadas sobrepostas: encontrabilidade — como tornar visível uma feature nova sem degradar o fluxo existente; confiança — como fazer o usuário pagar por uma consulta dentro de um produto que ele já assina; e modelo de negócio — como estruturar uma oferta de add-on que pudesse ser replicada para outros parceiros.

Resolver só a encontrabilidade sem resolver a confiança geraria consultas e cancelamentos. Resolver só a confiança sem resolver a encontrabilidade deixaria a receita represada. A sequência MVP → pesquisa → V2 foi o mecanismo para resolver as três camadas de forma ordenada — cada fase aprendendo com a anterior antes de ampliar escopo.

A estrutura financeira da oferta reforçava a necessidade de acertar o design desde o início: R$16,90 por consulta, teto de 30 consultas por mês, cobrança pós-paga via boleto mensal. Esse modelo criava uma tensão real — o risco de inadimplência era o principal risco operacional mapeado pela equipe, e a solução pós-paga foi tratada como temporária desde o início. O design precisava gerar confiança suficiente para o usuário aceitar pagar por algo que ainda não viu; e volume suficiente para que o modelo financeiro se sustentasse antes de uma eventual evolução para pré-pago.

A estrutura desta iniciativa foi deliberadamente incremental: MVP para validar disposição de pagamento antes de ampliar investimento; pesquisa com três perfis de uso para entender por que não usuários não usavam; e V2 com arquitetura de entrada expandida derivada dos achados de pesquisa.

O MVP foi lançado com um único ponto de entrada — dentro da criação de venda avulsa — para controlar variáveis e medir conversão em condições mínimas. Os 337 usuários únicos e a taxa de 16% de conversão não foram tratados como sucesso final: foram tratados como sinal verde para investir em diagnóstico qualitativo antes de escalar.

A avaliação média de 4,5/5 no survey pós-uso não foi acompanhada passivamente — foi lida como evidência de que o problema era encontrabilidade, não satisfação. Usuários que encontravam a feature a valorizavam. O design do V2 foi inteiramente construído sobre esse diagnóstico: remover a barreira de contexto e tornar a consulta acessível no momento em que o usuário real precisa dela — antes da venda, não durante.

  • MVP antes do design completo
  • Pesquisa com não usuários como foco central
  • Dados qualitativos guiando arquitetura de produto
  • Métricas de receita e uso integradas ao design

Toda decisão de design foi construída sobre uma fase estruturada de diagnóstico com quatro métodos.

Breakdown por ponto de entrada (V2)

  • 638Consulta direta
  • 172Cadastro do cliente
  • 161Resumo do cliente
  • 99Venda avulsa
  • 54Orçamento
  • Modelo de add-on validado

    Esta iniciativa provou que é possível lançar um serviço pago com compra direta dentro de um ERP de assinatura — com experiência de confiança suficiente para gerar receita consistente. O OKR original era R$268k; os R$213.464 acumulados nos primeiros seis meses após o V2 representam uma prova de conceito sólida para o modelo, mesmo que o potencial estimado na priorização ainda não tenha sido atingido na janela medida.

  • Encontrabilidade como restrição comprovada de crescimento

    A diferença entre o MVP e o V2 não foi preço, qualidade de dados ou confiança — foi arquitetura de acesso. Tornar a feature encontrável no momento certo multiplicou volume por 7,7×. O breakdown por ponto de entrada mostra que a consulta direta — o canal inexistente no MVP — liderou todos os outros canais combinados no V2. A pesquisa previu exatamente esse resultado; o V2 o confirmou.

  • Padrão reutilizável para fluxos pagos

    O modelo de interação — contexto → verificação → confirmação — foi projetado para ser replicado. Qualquer futura integração de parceiro que envolva dado sensível + pagamento por uso dentro da Conta Azul pode herdar essa estrutura sem reconstruir a lógica de confiança do zero.

  • Escopo honesto: o que ficou fora

    O roadmap incluía uma V3 de melhorias — dados mais completos (capital social, quadro societário), evolução do modelo de cobrança para reduzir o risco de inadimplência pós-pago — que não chegou a ser iniciada dentro do período coberto por este case. Os achados de oferta documentados na pesquisa existem como backlog validado, mas não como entrega.

O que este projeto realmente foi

Uma aposta de Growth com tese de receita clara — R$268k de OKR, modelo de R$16,90/consulta — executada com disciplina de pesquisa que a maioria dos times de Growth não aplica. O que diferenciou este projeto não foi a ideia de integrar dados de crédito num ERP (isso existe em outros mercados há anos), mas a escolha de parar antes do V2 e perguntar especificamente para quem não estava usando. Essa escolha transformou uma tese de produto em evidência de comportamento — e a evidência, não a intuição, definiu a arquitetura final.

O que permaneceu depois

Dois legados concretos: (1) o padrão de interação contexto → verificação → confirmação como modelo reutilizável para qualquer add-on pago dentro do produto; e (2) a demonstração operacional de que pesquisa com não usuários é o instrumento mais direto para desbloquear crescimento em features com baixa adoção — não pesquisa com quem já usa. Esse segundo ponto mudou como a equipe enquadrava problemas de adoção subsequentes.

O que eu faria diferente

Trataria o risco do modelo pós-pago como problema de design desde o MVP — não como risco operacional a ser resolvido depois. O modelo de cobrança via boleto mensal com teto de 30 consultas foi desenhado como solução temporária, mas entrou em produção sem um roadmap concreto de quando e como evoluiria. Em retrospecto, a inadimplência potencial era uma fricção de confiança tanto quanto qualquer elemento da interface — e merecia a mesma atenção de design que demos à encontrabilidade. Se fizesse de novo, mapearia os estados de cobrança (boleto vencido, consulta bloqueada, reativação) como parte do fluxo principal desde a V1, não como backlog de V3.

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