Caltec · 2017

Ecossistema digital que conecta motoristas, gestores e clientes para transformar a gestão logística de uma operação de 80 anos

  • Product Design
  • Mobile
  • Dashboard
  • Service Design
  • Lean UX
Contexto
A Caltec — maior produtora de dolomita do Brasil, com 80 anos de história — distribuía seus produtos via frota de caminhões terceirizados e próprios, sem ferramentas digitais para gestão dos processos logísticos.
Problema
A ausência de ferramentas adequadas gerava ineficiências, perdas financeiras, desperdício de produto e prejuízos patrimoniais. A comunicação com motoristas dependia de canais informais e o status dos fretes não era visível em tempo real.
Abordagem
Pesquisa qualitativa e quantitativa com motoristas, mapeamento do serviço com stakeholders e design de um ecossistema com três frentes: app mobile para motoristas, dashboard para gestores e dashboard para clientes.
Resultado
Ecossistema digital completo entregue — app mobile, dois dashboards web e sistema de recompensa para motoristas — transformando a gestão logística e posicionando a Caltec como referência em inovação no setor.

Liderei o design de produto do aplicativo mobile e das aplicações web — cobrindo experiência do usuário e interface — desde os processos iniciais de kick-off e pesquisas até o desenvolvimento das interfaces finais e validações. A atuação incluiu pesquisas com motoristas e gestores, mapeamento do serviço com stakeholders, arquitetura de informação, wireframes, identidade visual do produto e prototipagem. O escopo cobriu três produtos simultâneos: app mobile, dashboard de administração e dashboard de feedback para clientes.

A tensão era entre escala operacional e ausência de infraestrutura de informação: uma operação logística com 80 anos de história gerenciada inteiramente por canais informais. Comunicação com motoristas acontecia sem registro, o status dos fretes era invisível para gestores e clientes, e não havia mecanismo para garantir que os procedimentos corretos fossem seguidos — apenas confiança e improviso.

O projeto não era sobre criar um app de rastreamento. Era sobre redesenhar o serviço de logística como um sistema — com fluxos de informação claros entre motoristas, gestores internos e clientes finais, e incentivos que alinhassem o comportamento dos motoristas aos objetivos da empresa.

A abordagem foi Lean UX, com ciclos curtos de design e validação em colaboração com stakeholders da Caltec. O processo começou com imersão no contexto real dos motoristas — quem eles são, como trabalham, quais são suas pressões e necessidades — antes de qualquer decisão de produto.

O mapeamento do serviço foi feito em conjunto com os stakeholders da empresa, identificando funcionalidades essenciais para a eficiência da solução. Benchmarking de aplicativos similares (diretos como TruckPad, Sontra e FreteBras; indiretos como Uber e 99Taxi) orientou decisões de padrões de interface.

  • Pesquisa com motoristas
  • Mapeamento de serviço com stakeholders
  • Benchmarking de apps de logística
  • Lean UX com três frentes em paralelo
  • Ecossistema integrado

    App mobile, dashboard de gestão e dashboard de cliente — com informações compartilhadas em tempo real entre os três perfis. Antes do projeto, esses fluxos de informação não existiam formalmente.

  • Canal de comunicação

    Motoristas passaram a ter um canal formal para reportar imprevistos — eliminando a dependência de canais informais e criando registro dos eventos ao longo dos fretes.

  • Posicionamento estratégico

    O projeto posicionou a Caltec como empresa que investe em tecnologia e inovação no setor — um diferencial competitivo relevante em um mercado onde a gestão logística ainda é majoritariamente analógica.

O que este projeto realmente foi

Era um projeto de app mobile que exigiu pensar como design de serviço. O aplicativo era apenas a camada mais visível — o trabalho real foi mapear como a informação precisava fluir entre motoristas, gestores e clientes para que o sistema como um todo funcionasse. A imersão no contexto dos motoristas foi o que tornou o produto relevante. As evidências de pesquisa mostraram um contexto de uso muito específico — interface objetiva, comunicação direta, telas que funcionam em condições exigentes. Sem esse diagnóstico, o produto teria sido genérico.

O que permaneceu depois

O framework de design de serviço aplicado aqui — mapear fluxos de informação entre todos os atores antes de projetar interfaces — tornou-se parte da forma como abordo projetos com múltiplos perfis de usuário. Produto que serve B2B e B2C simultaneamente exige que o designer entenda a cadeia de valor completa, não apenas a interface de cada perfil. Padrões reutilizáveis de mapeamento de serviço são mais valiosos do que qualquer entrega pontual.

O que eu faria diferente

Definiria métricas de sucesso desde o início do diagnóstico — mesmo que estimadas. A ausência de KPIs claros dificultou a avaliação do impacto real do produto após o lançamento. Em projetos onde o cliente não tem cultura de métricas estabelecida, a decisão de design inclui ajudar a definir o que medir — e isso deveria ser parte do processo desde o Discovery.

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