Redesenhando a arquitetura de navegação para dobrar a ativação de usuários de serviços no primeiro uso
Activation
Information Architecture
Navigation
A/B Testing
Discoverability
Contexto
Para empresas de serviços, ativação dependia de criar uma venda e emitir uma nota fiscal. O menu do ERP não refletia esse modelo mental — os pontos de entrada estavam escondidos em uma hierarquia que mostrava tudo para todos.
Problema
Usuários de serviços chegavam ao produto e não encontravam o caminho para as duas ações centrais de ativação. A descoberta dependia de exploração por tentativa e erro, não de design intencional.
Abordagem
Redesign da arquitetura de informação com inserção de gatilhos contextuais para criação de venda. Dois testes A/B sequenciais — 500 e 2.000 tenants — para validar efeito antes e após escala.
Resultado
+11,1–12,4pp em criação de venda, +9,3–11,3pp em nota emitida nos testes controlados. Efeito amplificado de descoberta: +600% em acesso a Pix compensado, +233% em Pix emitido.
Resultados
+11,1ppCriação de vendaTeste 2.000 tenants
+11,3ppNota emitidaTeste 2.000 tenants
+10,7ppAcesso à página de vendasTeste 2.000 tenants
+600%Acesso a Pix compensadoEfeito sistêmico
+233%Acesso a Pix emitidoEfeito sistêmico
+41%ComprasEfeito sistêmico
+37%Relatórios de vendasEfeito sistêmico
Atuação
Atuei como designer principal de uma iniciativa multidisciplinar do H2 de 2024, focada nos clusters estratégicos Serviços e Serviços Técnicos. O time incluiu o DM Thiago Roberto Kolodge, o PM Rodrigo Paiva Mendonça (responsável pelo levantamento quantitativo amplo), a pesquisadora Emanuela Lima Silveira (condução das entrevistas qualitativas, com Thiago e eu como observadores), os stakeholders Cirlene Hang da Rocha e Maicon Andre Zanette, e o GPM José Antônio dos Santos Júnior.
Meu escopo cobriu quatro frentes: participação como observador nas entrevistas qualitativas e síntese dos achados; mapeamento AS-IS da arquitetura do menu atual com análise de herança histórica; design do novo menu e dos gatilhos contextuais por segmento; estruturação e análise dos dois A/B tests com escala crescente — incluindo a iniciativa de contornar a limitação do Amplitude via BigQuery para rastrear o uso dos novos gatilhos pós-rollout.
Estratégia
A tensão central deste projeto não era técnica — era histórica. A CA Clássica já separava produto e serviço na navegação. Essa separação foi removida após consultoria da Handmade na versão Nova CA Pro, consolidando tudo sob um único ‘Vendas’ que serve a ambos os perfis. O problema que o projeto encontrou nas entrevistas e no quantitativo era, em parte, consequência direta dessa decisão de consolidação.
A estratégia não foi desfazer a consolidação — as páginas destino continuariam as mesmas, com filtro aplicado. A estratégia foi resgatar a separação contextual no nível 1 do menu (Serviços × Produtos) sem duplicar infraestrutura. Ao mesmo tempo, os benchmarks confirmavam que Omie, Bling e Tiny — concorrentes diretos — já agrupavam itens por contexto na IA do menu. A CA estava fora do padrão de mercado que seus próprios usuários-alvo já conheciam.
A hipótese era direta: usuários de serviços não falhavam na ativação por falta de motivação, mas por falta de caminho visível. O produto usava o rótulo ‘Vendas’ para uma ação que esse perfil associa a ‘serviço prestado’ ou ‘nota fiscal’ — não a ‘venda’. Colocar o ponto de entrada correto onde o olhar do usuário já estava eliminaria a fricção de descoberta sem reescrever o produto.
O efeito secundário em Pix (+600%), compras (+41%) e relatórios (+37%) confirma o argumento para arquitetura de navegação como investimento sistêmico: resolver o caminho principal libera atenção para o restante do produto.
Processo
A sequência foi deliberada: levantar o que os dados diziam antes de conversar com usuários; validar as hipóteses quantitativas com observação qualitativa; ancorar as decisões de redesign em evidência dupla antes de tocar na arquitetura.
Fase 1 — Quantitativo amplo Rodrigo Paiva mapeou o comportamento de uso via Amplitude: onde usuários de serviços chegavam, onde abandonavam, quais features nunca eram acessadas no trial. Os dados apontavam para o menu como gargalo antes de qualquer entrevista.
Fase 2 — Entrevistas qualitativas Emanuela Lima conduziu as entrevistas. Thiago e eu atuamos como observadores. O achado central: usuários não associavam ‘Vendas’ à ação de registrar um serviço prestado. A nomenclatura era o obstáculo visível; a hierarquia era o obstáculo estrutural.
Fase 3 — Estudos internos e mapeamento AS-IS Documentos de reestruturações anteriores de menu e o mapeamento do estado atual revelaram a herança da CA Clássica — e a decisão deliberada de consolidação pós-Handmade. O redesign precisava respeitar a arquitetura técnica existente enquanto resolvia o problema de modelo mental.
Fase 4 — Benchmark de concorrentes Omie, Bling e Tiny foram analisados. Os três separam venda de produto e venda de serviço no menu, agrupando itens por contexto. A CA estava fora do padrão do segmento.
Fase 5 e 6 — Redesign, testes e rollout Primeiro teste: 500 tenants do segmento Serviços (21/08–01/10/2024). Validou direção. Segundo teste: 2.000 tenants de Comércio e Serviços. Confirmou consistência em escala 4×. Rollout para 100% dos novos trials em 18/12/2024, com plano faseado para a base ativa a partir de jan/25.
Diagnóstico
Pergunta: Onde usuários de serviços param de avançar no trial — e o que os dados de comportamento revelam sobre o ponto de falha?
O que foi feito: Rodrigo Paiva mapeou o funil de uso via Amplitude para os clusters Serviços e Serviços Técnicos: páginas acessadas, features ativadas ou ignoradas, pontos de abandono no primeiro uso.
Achado principal: Usuários de serviços usavam o Financeiro para registrar entradas de caixa, ignorando Vendas e features de cobrança. O menu não surfaceava o caminho para NF e venda de serviço — usuários encontravam o workaround pelo Financeiro antes de descobrir o fluxo correto.
Artefato: Análise de funil por segmento (Amplitude) · Levantamento de uso por feature no trial.
Pergunta: Por que usuários de serviços não registram vendas pelo módulo Vendas — mesmo tendo acesso a ele?
O que foi feito: Emanuela Lima Silveira conduziu entrevistas com usuários dos clusters-alvo. Thiago Roberto Kolodge e eu atuamos como observadores. As sessões foram focadas em modelo mental: o que o usuário entende por ‘venda’, onde ele espera encontrar cada ação, o que o rótulo ‘Vendas’ evoca.
Achado principal: Três gaps de modelo mental documentados: (1) usuários não entendem que ‘Vendas’ cobre prestação de serviço; (2) não entendem que Contrato registra vendas/serviços recorrentes; (3) usam o Financeiro para entradas por ser o único caminho que faz sentido intuitivamente — perdendo features de cobrança e NF.
Artefato: Síntese de entrevistas · Mapa de modelo mental por perfil (Serviços vs. Produtos).
Pergunta: A arquitetura atual é produto de uma decisão intencional ou de acumulação histórica — e quais restrições ela impõe ao redesign?
O que foi feito: Revisão de documentos de reestruturações anteriores do menu, incluindo a separação produto/serviço da CA Clássica e a decisão de consolidação pós-consultoria Handmade na Nova CA Pro. Mapeamento do estado atual (AS-IS): hierarquia do menu nível 1 e nível 2, agrupamentos existentes, itens em disputa de visibilidade.
Achado principal: A separação produto/serviço existiu e foi deliberadamente removida. O redesign não estava propondo algo novo — estava propondo resgatar uma decisão anterior com mecânica diferente (filtro aplicado nas páginas destino, sem duplicar infraestrutura).
Artefato: Mapeamento AS-IS do menu · Registro de decisões históricas de IA.
Pergunta: Como concorrentes diretos organizam a navegação para o mesmo perfil de usuário — e a CA está fora do padrão de mercado?
O que foi feito: Análise da arquitetura de menu de Omie, Bling e Tiny, com foco em como cada produto separa ou agrupa venda de produto e venda de serviço.
Achado principal: Os três concorrentes separam venda de produto e venda de serviço no menu, agrupando itens por contexto de uso. A CA era o único produto do segmento que não fazia essa distinção na navegação — tornando o problema uma questão de posicionamento competitivo, não apenas de UX interna.
Artefato: Análise comparativa de IA de menu (Omie, Bling, Tiny vs. CA Nova Pro).
Solução
Problema: Menu com hierarquia plana — ‘Vendas’ como único ponto de entrada para produto e serviço, sem distinção contextual. Itens do nível 2 agrupados por lógica de sistema, não por modelo mental do usuário.
Decisão de design: Separação de Serviços × Produtos no nível 1 do menu, mantendo as mesmas páginas destino com filtro aplicado — sem duplicar infraestrutura ou criar novas rotas técnicas. O nível 2 foi reorganizado para agrupar itens por contexto de uso, reduzindo a competição visual entre features de perfis distintos. O risco técnico mapeado: salvamento em cache nos filtros das telas destino, com monitoramento previsto para crescimento de volume na base ativa.
Visuais: estrutura do menu antes (hierarquia plana) vs. depois (separação Serviços × Produtos) · nível 2 reorganizado por contexto
Problema: O ponto de entrada para criação de venda aparecia apenas no menu principal — ausente nos contextos onde o usuário de serviços demonstrava maior intenção de agir.
Decisão de design: Três novos gatilhos de criação de venda inseridos em pontos de maior intenção: (1) Visão geral — substituindo ‘Nova receita’ na widget A receber, com links separados para venda de produto e venda de serviço; (2) botão +Novo — expandido com links distintos para venda de produto e serviço; (3) listagem de vendas — botões de criação separados em dois. Cada gatilho aparece no contexto em que o usuário já está quando a intenção de registrar uma venda é mais alta.
Visuais: três gatilhos contextuais · detalhe da widget Visão geral · menu +Novo expandido
Uso dos gatilhos (01/12–11/12/2024, 10 dias, via BigQuery)
238Visão geral
683+Novo > Serviço
471+Novo > Produto
Resultado controlado: +12,4pp em criação de venda (500 tenants) · +11,1pp (2.000 tenants).
Impacto
Rollout faseado como gestão de risco
O rollout não foi imediato. O plano sequencial — 18/12/2024 para 100% dos novos trials; a partir de jan/25 para a base ativa em fases (100 → 500 → 2.000 → 5.000 → base completa) — foi a decisão de não escalar antes de monitorar comportamento em produção. Com dois A/B tests validados em ambiente controlado, a pergunta virou: o efeito se mantém quando sai do teste e entra no fluxo real? O rollout faseado para a base ativa dá a resposta de forma reversível: cada etapa é um ponto de checagem antes de comprometer a escala seguinte.
Limitação de dados e resposta
O Amplitude não cobria os eventos dos novos gatilhos no período pós-lançamento imediato (01/12–11/12). Os números de uso dos gatilhos foram extraídos via BigQuery — processo manual que indica uma lacuna de instrumentação, não de adoção. Iniciei a discussão para resolver esse problema de forma estrutural: a análise comparativa de uso dos gatilhos no longo prazo depende de eventos rastreados corretamente no Amplitude desde o início.
Impacto além do A/B
Os resultados controlados medem o efeito da mudança em condições de teste. O rollout de 18/12 para 100% dos novos trials é o momento em que esse efeito passa a operar em escala real — cada novo usuário de serviços que entra no produto a partir dessa data encontra a navegação redesenhada como default.
Reflexão
O que este projeto realmente foi
Uma intervenção de arquitetura de informação em um produto maduro com herança histórica acumulada. O problema não era que o menu era feio ou confuso — era que uma decisão de consolidação feita anos antes havia removido uma distinção que os usuários-alvo precisavam. O diagnóstico duplo (quantitativo + qualitativo) tornou visível o que estava escondido nas métricas: o Financeiro era o workaround para uma navegação que não servia o perfil de serviços.
O que permaneceu depois
A separação contextual no menu como padrão de navegação para o segmento de serviços. Os gatilhos de criação de venda em Visão geral e +Novo como pontos de entrada permanentes. O argumento empírico — dois A/B tests com resultados estáveis em escala crescente — que justifica investimento contínuo em arquitetura de navegação além do caso de ativação.
O que eu faria diferente
Instrumentaria os eventos dos novos gatilhos no Amplitude antes do início do teste, não depois. A extração manual via BigQuery funcionou para o período de 01/12–11/12, mas criou uma lacuna que impediu análise comparativa contínua. Rastreamento de novos pontos de entrada é parte do design da solução — não um ajuste pós-lançamento.
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