Conta Azul · 2024–2025

Removendo a principal barreira de ativação no ERP com importação de dados assistida por IA

  • AI-Augmented
  • Onboarding
  • Activation
  • Trust Design
  • Conversational UI
Contexto
O achado mais consistente da jornada de ativação: antes de criar a primeira venda, o usuário precisava ter clientes cadastrados; antes de emitir uma nota, serviços cadastrados. O preenchimento manual era a parede entre a criação da conta e o valor do produto.
Problema
Preenchimento manual de dados de setup consumia 30–45 minutos de cada nova sessão de onboarding — tempo gasto antes de qualquer ação de valor. Para a maioria dos usuários, esse atrito era suficiente para abandono antes da ativação.
Abordagem
Fluxo conversacional de importação assistida por IA: o usuário sobe uma planilha, a IA extrai e mapeia os campos automaticamente, o usuário revisa e confirma. Configuração em minutos, não em horas.
Resultado
+44% de interesse na funcionalidade · 22% de engajamento ativo · 16% de completude do fluxo — sinais de validação em estágio inicial, não de rollout completo.

Resultados

  • +44% Interesse na funcionalidade Declararam interesse
  • 22% Engajamento ativo Iniciaram o fluxo
  • 16% Completude do fluxo Concluíram a importação

Fui o Product Designer responsável por esta iniciativa, do alinhamento inicial até o protótipo do MVP Alpha. O escopo incluiu condução do CSD com Gabriella Antunes de Oliveira e Fernanda Marcondes Rebello (pesquisa de produto), exploração das três alternativas de UI, e desenvolvimento do protótipo em parceria direta com Thiago Roberto Kolodge (Design Manager).

A decisão pelo formato Chat — em vez de Wizard ou integração à Captura AI — não foi apenas uma decisão de interação. Implicou transferir o escopo para o time de Conta AI, com suporte do time de Growth. Naveguei ativamente a incerteza institucional sobre como a IA seria usada no produto: a documentação do projeto registrava que este fluxo poderia sofrer mudanças não previstas sobre a visão de IA no Conta Azul Pro. Seguir em frente com MVP Alpha, em vez de aguardar definição completa, foi uma decisão de risco calculado.

O OKR que motivou esta iniciativa era direto: aumentar a taxa de ativação nos primeiros 30 dias de assinantes sem onboarding assistido de 27% para 40% (exceto canal lote). A métrica central era Time to Value — redução do tempo para que o usuário tivesse seus primeiros dados de vendas registrados na plataforma. Preenchimento manual de cadastros era o maior bloqueador desse caminho.

A solução padrão para esse problema em ERPs é onboarding guiado por CS: um humano conduz o usuário pelo preenchimento manual. Essa solução escala mal — o custo de CS cresce linearmente com a base — e era explicitamente o que queríamos substituir para o segmento sem onboarding assistido.

A oportunidade de IA não era automação genérica. Era a substituição de uma tarefa mecânica específica: mapear campos de uma planilha existente do usuário para os campos do produto. Essa tarefa não requer julgamento humano; requer reconhecimento de padrões. A IA faz isso em segundos; o usuário traz o julgamento sobre os dados do negócio dele — quais clientes importar, quais serviços manter.

A separação de papéis — IA faz o mapeamento técnico, usuário valida os dados de negócio — foi a decisão de design mais importante desta iniciativa. Ela resolve simultaneamente o problema de confiança (usuário mantém controle sobre o que entra no sistema) e o problema de atrito (usuário não executa o trabalho mecânico).

A tensão estratégica real era outra: a visão de como a IA seria integrada ao Conta Azul Pro ainda estava sendo definida enquanto projetávamos. Decidir pelo formato Chat antecipou a visão futura da Conta AI — mas criou dependência de uma decisão de produto que ainda não tinha fechamento. O MVP Alpha foi desenhado para gerar sinal antes que essa decisão se tornasse bloqueadora.

A sequência foi definida antes de qualquer wireframe: alinhar incertezas, pesquisar soluções existentes, explorar modelos, decidir com critério explícito.

CSD com time de produto — levantamento estruturado de Certezas, Suposições e Dúvidas com Gabriella e Fernanda. Resultado: lista de hipóteses sobre desejo, usabilidade e valor percebido que moldou as expectativas de aprendizado do MVP.

Desk research interno — mapeamento de iniciativas anteriores na Caixa de entrada e evoluções da Conta AI documentadas por outros designers. Evitou retrabalho e conectou a iniciativa à visão de longo prazo já existente no produto.

Benchmark de IA em SaaS — estudo focado em como interfaces resolvem integração de IA para importação de arquivos em produtos B2B. Identificou que importação de arquivo como funcionalidade principal era o padrão para entregar valor percebido rapidamente.

Exploração de 3 modelos de UI — prototipagem e comparação de: (1) Wizard de importação — experiência apartada da Conta AI; (2) Integrado à Captura AI — dentro da experiência visual existente; (3) Chat IA — experiência de chat estático, sem input de texto, apenas cliques.

MVP Alpha com público restrito — lançamento para novos usuários em aproximadamente 10% da base elegível, cobrindo cadastro de Clientes, Produtos/Serviços e Despesas. As expectativas de aprendizado foram definidas antes do lançamento: Desejo (% de adoção, ponto principal de abandono), Usabilidade (compreensão do fluxo, clareza da proposta de valor, facilidade de revisão) e Valor Percebido (feedback qualitativo sobre experiência com a IA).

O que este projeto realmente foi

Uma aposta em timing: projetar confiança para IA em contexto de dados críticos antes que a visão do produto de IA estivesse totalmente definida. O trabalho técnico de design — separação de papéis IA/usuário, tela de revisão, chat estático — era consequência de uma decisão estratégica anterior: gerar sinal de validação antes que a incerteza institucional sobre a IA no produto se tornasse bloqueadora.

O OKR de 27% para 40% de ativação em 30 dias não seria alcançado apenas com melhorias de UX incremental. Precisava de uma mudança na estrutura do problema: eliminar o preenchimento manual como pré-requisito para chegar ao valor do produto.

O que permaneceu depois

A arquitetura de confiança desenvolvida aqui — upload → mapeamento automático → revisão pelo usuário → confirmação explícita — é reutilizável para qualquer fluxo de IA que opere sobre dados de negócio críticos. A separação entre o que a IA decide (mapeamento técnico) e o que o usuário decide (validação de negócio) é um princípio de design, não uma solução pontual. A visão de futuro documentada no projeto — MLP com conexão a histórico de vendas, contratos ativos e integração centralizada com sistema de chat — ficou registrada e pode alimentar iterações subsequentes à medida que a visão de IA do produto amadurece.

O que eu faria diferente

Fixaria os critérios de sucesso quantitativos antes do lançamento com mais rigor — especificamente, o que constituiria sinal suficiente para escalar vs. pivotar. Os critérios qualitativos (Desejo, Usabilidade, Valor Percebido) eram claros; os limiares numéricos para decisão de continuidade eram implícitos. Dado o risco de mudança na visão de IA do produto — risco documentado e real, não hipotético — essa clareza prévia teria protegido o time de interpretações ambíguas dos resultados do Alpha.

Sobre o 16% de completude: a referência de mercado aponta que fluxos de importação em SaaS B2B registram tipicamente entre 10–25% de completude na sessão. O 16% está dentro dessa faixa. Faria essa contextualização explícita desde o início — como parte do framework de avaliação acordado com stakeholders antes do lançamento, não como defesa posterior.

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